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Archive for the ‘Dança’ Category

Quando pensamos no Havaí duas coisas geralmente nos vem a mente: Aloha e Hula.

Ambas nasceram em um tempo muito antigo quando na lenda deuses, deusas e humanos viviam na terra.

As origens da Hula são abertas a interpretações. Alguns acreditam que tem origem na antiga civilização de Mu, outros dizem que nasceu nas ilhas havaianas, enquanto outros traçam suas origem no Taiti ou outras ilhas estrangeiras. Para ambos, antigos e modernos havaianos, a Hula é a própria essência da vida. Ela faz uma ligação com o universo e faz deles único com toda a criação.

A questão de se a Hula original foi dançada apenas por homens, como clamam alguns havaianos, está aberta para debate. Há, entretanto, muitas gravações e lendas nas quais dizem que ambos, homens e mulheres dançavam Hula. O que se sabe com certeza é que mulheres estavam dançando quando o capitão Cook e sua tripulação chegaram em 1778 nas ilhas.

O uso da palavra, Hula, para descrever dança é específico para os havaianos e não para outras culturas Polinésias. Em Samoa, dançam SASA, FA’ATAUPATI  ou LAPALAPA. Em Tonga, o corpo principal da dança é chamado de FAIVA, e a dança principal é LAKALAKA. No Taiti tem APARIMA ou OTEA. Na Ilha de Páscoa, há meia dúzia de diferentes palavras para descrever dança, muitas foram tomada emprestadas de Samoa e Taiti. Surpreendentemente, os havaianos tem uma antiga palavra para dança, HÁ’A, a qual é muito similar ao HAKA dos Maoris e FA’A de Samoa. Pelo menos uma fonte, o Dicionário Havaiano de Mary Kawena Pukui e Samuel H. Elbert, diz que a palavra Hula não era de uso geral até após a metade dos anos de 1800.

Enquanto que os filmes de Elvis Presley podem ter levado a Hula ao conhecimento do grande público as danças apresentadas nestes filmes, embora como forma de entretenimento, tem pouca semelhança com o profundo espírito, graça, elegância e forma sacra que personifica esta antiga arte.

A Hula Kahiko, ou forma antiga de dança, era e ainda é apresentada com indumentárias tradicionais, acompanhadas por canto e instrumentos tradicionais de percussão, enquanto que a Hula A’uana, ou uma versão moderna da dança, é mais comumente acompanhada por instrumentos modernos como o Ukele e o violão. As indumentárias também são modernas, de uma simples saia com blusa até um elabora vestido Victoriano, para os turistas, saias de ráfia e top de côco.

A Hula apresenta três propósitos: entretenimento, inspiração e instrução. É um veículo cultural para comentários sociais e históricos, e uma forma de transmitir informações. As danças e os cantos, contém uma mágica que transcende ao poder externo e a beleza, preenche ambos, dançarinos e audiência com o espírito de Aloha.

As primeiras formas de dança havaiana, o cântico da Hula (Mele Hula), eram usados tanto nas formas de templo (Ha’a) ou formas públicas (Hula). Ha’a era usada para adoração dentro dos templo (Heiau), sob a coordenação de um Kahuna (Guia espiritual). Essas danças eram geralmente realizadas junto com rituais e cerimônias relacionadas a um templo específico e também com desejos específicos com aquele templo. Alguns destes eram como uma forma de adoração, prestando homenagem a deuses com lendas de seus feitos. Outra Hula honrava o Ali’i – chefes e realeza – os quais a genealogia ligava-os com os deuses. Também se dançava por prazer, com temas ligados e preenchidos por emoções. Havia o Mana ou força da vida e energia espiritual nas palavras, na precisão da apresentação, na disciplina e harmonia dos movimentos dos dançarinos, na sua compostura espiritual, a continuação sagrada que ligava deuses com o homem e a natureza.

Cada movimento, expressão e gesto na Hula tem um significado específico, da representação de plantas, animais, e elementos para escutar, procurar, velejar e muito mais. O movimentos de mãos tem um significado particular, com a deusa da Hula observando suas mãos todo o tempo e não a audiência. Os cantos acompanham o dançarino e ajudam a contar a história.

Kuhi no ka lima, hele no ka maka – Onde as mãos se movem, deixe os olhos seguir.

De qualquer maneira, a Hula sempre foi dançada com espiritualidade, esta parte presente como experiência para ambos dançarinos e audiência. Em ambos os casos a Hula e os cantos são gravações da história cultural do povo havaiano, com lendas, tradições, genealogias e a história sendo preservada e passada a diante. Os cânticos ou Mele para a Hula são a narrativa integral, preenchida de profunda e devota emoção. Sendo sem uma linguagem escrita, os dançarinos tinham, de memorizar os cânticos da Hula.

O acompanhamento musical é um elemento essencial para a Hula. Na forma antiga, alguns instrumentos são tocados pelo próprio intérprete, com tambores de pele de tubarão, Pahu, e percussão de cabaças, Ipu ou Ipu Heke, sendo o acompanhamento chefe. Outros, como os chocalhos emplumedos Pu’ili, e pedras de rios ou vulcão Ili’ili, que são tocadas como castanholas, eram utilizados pelos dançarinos. A voz do intérprete também tinha um papel principal, pois retratava o tom e a emoção da dança.

As indumentárias das danças antigas, consistia em uma saia Pa’u ou saia feita de Tapa, um tipo de roupa feita da casca de certas árvores, Leis para a cabeça, pescoço, punhos feitas de plantas e tornozeleiras feitas de dentes de cachorro, conchas, sementes ou ossos de baleia.

Laka, deusa do amor, das florestas e plantas é amplamente conhecida como a patrona da Hula. As plantas da floresta, oferendas para Laka, é uma parte importante do ritual e preparação da Hula sagrada, as florestas e plantas são consideradas a própria forma da deusa, e portanto possuem o seu Maná ou energia espiritual. A planta Ti ou Ki é considerada sagrada para Laka e é usada em muitos rituais e cerimônias para proteção, para afastar os maus espíritos e para trazer boa sorte. É um símbolo do poder divino.

Todas as hulas antigas eram precedidas e seguidas por orações, bênçãos e outros rituais. Os cânticos para Laka eram apresentados, um altar era construído na parede leste do Halau, escola de dança ou construção, simbolizando a força da vida com o nascer do sol. Os dançarinos se banhavam frequentemente e as oferendas para Laka eram limpas e borrifadas com água salgada.

Todos os dançarinos de Hula exibiam boa postura, a qual acrescentavam a religiosidade e dignidade da dança, e ainda, colocavam a hula em forma de destaque das outras danças Polinésias. Os dançarinos possuíam um sentimento de harmonia, equilíbrio e controle. Quando escolhiam um Haumana, aluno, muitas qualidades eram necessárias, como dedicação, graça, leveza, postura e respeito. Ser escolhido como um estudante de hula era uma grande honra. Ambos, o Kumu, professor, e os melhores dançarinos eram altamente respeitados e frequentemente tinham uma longa vida de serviços voltados para a Hula.

Treinamento em uma escola de Hula era muito restrito, com a concordância ao Kapu, regras, sendo estas muito rígidas. O Kapu variava através dos diferentes tipos de escolas, entretanto certos códigos de conduta como limpeza pessoal, não cortar o cabelo ou unhas, abstinência de atividade sexual e restrição a certa alimentação eram comum.

Os estudantes dançavam em uma plataforma com um altar dedicado a Laka, decorado com vinhos e flores em sua homenagem. A graduação era uma cerimônia especial com um protocolo rígido. Os estudantes ficavam na escola por muitos dias meditando, fazendo leis, oferecendo preces e praticando rituais de purificação. A graduação era então seguida por uma festa e um ritual de desmonte e disposição do altar.

Formalidade da cerimônia, ritual, etiqueta e protocolo são muito importantes para a escola de Hula. Da escolha do material para a confecção das leis que adornam a cabeça, os punhos, o pescoço e os tornozelos, as preces executadas antes das apresentações, as indumentárias para a performance e a disposição das leis após, frequentemente no oceano, tudo era feito com ritual e respeito.

Quando o cristianismo começou a dominar a cultura havaiana, todas as formas de hula começaram a desaparecer. Porque era um símbolo da cultura aborígene das ilhas, seus deuses e crenças espirituais, e por que alguns dos movimentos eram naturalmente sugestivos, a hula não foi vista com bons olhos pelos missionários em 1820, e foi banida até que o rei David Lalakaua restaurou a Hula para sua posição de honra e respeito quase que 50 anos mais tarde.

Antes mesmo da chegada dos missionários no Havaí, o sistema religioso havaiano foi destruído por forças internas. Em 1819 o rei Liholiho Kamehameha deu a ordem para fechar os templos e matar os sacerdotes, este ato causou uma severa baixa para a hula sagrada. A chegada dos missionários, os quais viam a hula como lascívia e subversiva para seus esforços para livrar os havaianos de seu “pecaminoso” passado, gradualmente colocaram um fim nas apresentações públicas de hula até o reinado de Kalakaua. E foi devido a muitos professores de hula, que preservaram a hula tradicional em silencio que esta herança cultural ainda existe. Hoje em dia muitas escolas e companhias de Hula estão atuando no Havaí e proliferando mundo afora.

A Hula propiciou e ainda continua a propiciar, uma fonte de prazer e o mais importante, uma forma de educar havaianos e não-havaianos na mítica ideologia e nos ideais que dão sentido e continuidade a antiga cultura havaiana. A Hula não é mais dançada apenas por havaianos nativos. Há muitos não nativos que assumiram o desejo de perpetuar esta maravilhosa dança e seus ensinamentos sagrados pelo mundo inteiro. Enquanto possamos não ser nascidos nas ilhas, há uma profunda relembrança celular e um grande respeito por muitos que ouvem os cantos e os movimentos de dança.

Hoje em dia existem muitos mestre de hula reproduzindo as danças antigas o tanto quanto fidedignas e também criando danças e cantos baseados na forma tradicional. A geração atual tem muita sorte e é previlegiada porque esta dança sagrada soreviveu e continua a transmitir este poderoso legado. Eu particularmente agradeço a cada um pela perpetuação destes ensinamentos sagrados, pois sou fruto destas gerações que sobreviveram e continuam perpetuando o verdadeiro significado da Hula..

A Hula é a alma do Havaí. Talvez a próxima vez que você veja esta dança sagrada sendo apresentada, seja na forma antiga ou moderna, você consiga enxergar com olhos diferentes e possa compartilhar com os dançarinos a profunda energia espiritual.

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A tradição dos colares(Lei) foi introduzida aos havaianos pelos viajantes  Polinésios, os quais fizeram uma incrível jornada do Taiti, navegando guiados pelas estrelas em canoas. Com estes primeiros desbravadores, a tradição dos colares (Lei) nasceu.

Os colares(Lei) são feitos de flores, folhas, conchas, sementes, penas e até mesmo ossos e dentes de vários animais. Na tradição havaiana estes adornos eram usados pelos antigos havaianos para deixá-los mais bonitos e distingui-los dos outros. O colar(Lei) de MAILE talvez tenha sido o mais significativo. Entre outros usos sagrados, era usado como sinal de paz entre chefes oponentes. No Heiau (templo), os chefes podiam entrar com um colar(Lei) de MAILE DE CORES VERDE E VINHO, e ao final estava selada a paz entre os dois grupos.

O COSTUME DO ALOHA

Com a chegada dos turistas no Havaí o colar(Lei) tornou-se rapidamente um símbolo havaiano para milhares de pessoas no mundo inteiro.

Durante o Dia do Barco nos primórdios de 1900, os vendedores de colares se alinhavam no píer da Aloha Tower para recepcionar os MALIHINI (Visitantes) que chegavam as ilhas e aos KAMA’AINA (nativos) que voltavam para casa. Conta uma lenda que os visitantes que partiam atiravam seus colares (Lei) ao mar logo que o navio passava Diamond Head, com o desejo de que como os colares (lei), eles algum dia retornariam as ilhas.

ETIQUETA DOS COLARES (Leis)

Há algumas regras quando se usa um colar havaiano (Lei). Qualquer pessoa pode usar um, a qualquer hora, não é necessário que ocorra uma ocasião para isso. É perfeitamente legal que alguém compre um colar ou faça-o por si mesmo. É muito comum aos nativos terem sempre material em casa como conchas ou sementes para confeccionar um e usá-lo em uma ocasião especial. Os chapéus são comumente adornados de colares de flores ou penas(Lei).

Há, contudo algumas regras “não faladas” que devem ser seguidas quando alguém recebe um colar pela primeira vez. O colar deve ser uma celebração de boas vindas em sinal de afeição de uma pessoa pela outra. Entretanto, sempre aceite o colar, nunca recuse. A maneira correta de usar um colar é colocá-lo gentilmente sobre os ombros, pendurando-o na frente e atrás. É considerado falta de educação retirar o colar do pescoço na presença da pessoa que lhe deu, se tiver de fazê-lo, seja discreto.

Dar colares (Lei) é parte normal de ocasiões especiais como aniversários, casamentos e formaturas.

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As origens da hula são cercadas de lendas.

Uma delas descreve a aventura de Hi’iaka para acalmar sua feroz irmã, a deusa Pele, o vulcão.  A aventura de Hi’iaka provém a base para muitas danças de hoje.

HULA KAHIKONo período pré-europeu, a hula estava restritamente relacionada a práticas religiosas.  Danças estanques acompanhadas pelo Pahu (Grande tambor coberto por pele de tubarão usado em templos de cerimônias), que é o instrumento mais sagrado dedicado aos deuses.

Como antigamente, no século XX, rituais e preces cercam todos os treinamentos e práticas de hula. Professores e alunos estão dedicados a Laka, a deusa da Hula e oferendas apropriadas são feitas regularmente.

Os missionários protestantes que chegaram no Havaí em 1820 introduziram o cristianismo e prevaleceram os valores ocidentais, com o apoio dos convertidos do alto escalão da realeza eles denunciaram e baniram a hula, alegando que era profana. Um grande número de praticantes de hula não aceitaram e continuaram clandestinamente ensinando e apresentando durante meados do século XIX.

DAVID KALAKAUAO reinado de David Kalakaua (1874 – 1891) foi uma fase transicional para as artes havaianas.  Sob a objeção dos havaianos cristianizados e dos não-havaianos, conhecidos especialistas ganharam lugar em sua corte e encorajados a prática da tradicional arte.  Nesta época favorável os praticantes de hula migraram para novos elementos de poesia, canto vocaL, movimentos de dança, roupas e criaram uma nova forma de hula, chamada de Hula Ku’i (significa combinar o antigo e o novo).  O Pahu não foi usado na Hula Ku’i, evidentemente por ser sagrado e por respeito dos praticantes. O Ipu (porongo, cabaça) foi o instrumento mais propriamente associado a Ku’i.

O interesse por cantos antigos que acompanham a hula caiu no início do século XIX. Novas músicas acompanhavam a hula captando a atenção dos turistas e da audiência dos filmes de Hollywood, isto contribuiu para o crescimento da indústria de entretenimento no Havaí. A concessão para audiências não-havaiana inclui letras de música em inglês, gestos menos alusivos e apelos sensuais adicionados para enfatizar os movimentos de quadris, removeram da hula o seu conteúdo religioso.

Talvez a imagem mais marcante da hula na década de 30 e 40 sejam as de dançarinas com sais de palha ou sedutivos vestidos, conhecidos como sarong. Uma vez mais os praticantes de hula antiga perpetuaram a sua prática de maneira sigilosa em círculos privados.

O ressurgimento de um orgulho étnico aumentou o interesse em pré-Ku’i, no início dos anos 70. Cantos acompanhados de hula foram revividos e novas danças são coreografadas no estilo antigo, ocupando lugar das danças populares, especialmente entre os jovens havaianos.

Praticantes comtemporâneos dividem a hula em Hula Kahiko (antiga), a que engloba cantos antigos acompanhando a dança e Hula A’uana (moderna), a qual engloba novas músicas acompanhando a dança.

MERRIE MONARCH FESTIVAL

MERRIE MONARCH FESTIVAL

A hula atualmente está em destaque, especialmente em duas competições anuais. No MERRIE MONARCH, festival que acontece em abril na ilha de Hilo no Havaí, onde grupos masculinos e femininos competem em Hula Kahiko e Hula A’uana, e solos femininos competem pelo título de Miss Aloha Hula.  A tradicional competição de hula e canto, THE KING KAMEHAMEHA, acontece em junho na ilha de O’ahu e mistura grupos em Hula Kahiko e A’uana. A popularidade é devido a novos coreógrafos que introduziram movimentos mais rápidos e cênicos, para manter o interesse visual, visto que a audiência (e também muitos dançarinos) não compreendem a linguagem havaiana dos textos.

O termo hula se refere a movimentos e gestos. A hula não pode ser apresentada sem um MELE (poesia), o componente mais importante. MELE são composições de informações culturais que vão do sagrado MELE PULE (preces) ao MELE INOA (nome de cantos, muitos para chefes), aos típicos MELE HO’OIPOIPO (canções de amor) e MELE A’INA (cantos para a terra), o tipo de mele usado é a forma de classificar a dança. A alusão é de grande valor na poesia, os gestos estão em nível secundário de abstração, eles não contam a história completa, mas interpretam os principais aspectos do MELE. O conceito hula envolve o mele e a sua realização é recitada na apresentação, não há conceito para música na cuultura antiga havaiana.

O antigo canto que acompanha as danças podem ser apresentados na posição em pé ou sentada. As danças que são em pé podem ser divididas em ‘OLAPA que executa os movimentos e HO’OPA’A quem canta o texto e executa os instrumentos de percussão que acompanha.

Enquanto as mãos e os braços executam os movimentos do texto, movimentos de pés com nomes próprios são executados continuamente como um movimento sincronizado. Alguns destes movimentos são KAHOLO (deslocamento lateral), UWEHE (passo no lugar alternando os pés) e ‘AMI (movimento circular de quadris). O KAWELU ou KALAKAUA (passo para frente e para trás) foi introduzido com a Hula Ku’i. Existe uma relação muito próxima entre os movimentos de pernas e os instrumentos de percussão IPU e PAHU: mudança em um corresponde a mudança em outro, geralmente no início de uma nova fase, na junção da narrativa ou no intervalo de textos. A organização dos passos ou movimentos de pernas, através de versos ou frases para companhamento de Hula Ku’i é praticamente os mesmos da Hula Kahiko, mas no lugar de Ipu ou Pahu, apresenta-se o violão ou UKELE.

Os dançarinos na Hula Noho (sentados) são ao mesmo tempo dançarinos e cantores. Eles apresentam gestos enquanto cantam e acopanham este canto com instrumentos de percussão. Os instrumentos mais comuns são o uli’uli (um porongo ou cabaça decorado com penas), o pu’ili (um par de pedaços de bambu ou taquara cortado nas pontas para sonorizar), ili’ili (dois pares de pedras lisas moldadas pela água, tocadas de maneira similar às castanholas) e Kala’u (dois pedaços de madeira, um maior e um menor, usa-se o menor para bater no outro).

O seguinte provérbio, usado pelos praticantes de hula traz um sentido cultural aos ensaios e diferenças coreográficas que distinguem a arte da hula:

‘A’OHE I PUA I KA HALAU HO’OKANI

(Todo o conhecimento não está contido em apenas uma escola).

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Hula é o termo para a dança dos havaianos.

A origem da Hula é para adoração aos deuses através da dança. Hula é a história sendo contada, uma pantonímia, em variação com cânticos e vários instrumentos.

HulaA Hula Kahiko (antiga) é considerada o estilo antigo em contraste com as hulas melódicas com típicas canções havaianas acompanhadas de violão ou ukele, que é conhecida com Hula A’uana.

Estes são alguns estilos de Hula, que variam conforme a época e a ilha:

Hula – Termo geral para todas as danças do havaí

Hula `âla`apapa – Hula antiga qu dramatiza uma história.

Hula hue – Hula que finaliza um evento, caracterizando-se por movimentos rápidos de quadris.

Hula `auana – É uma hula informal que se desenvolveu da antiga nos anos de 1900, usada para ocasiões não especiais e para interatividade coma audiência. Esta Hula caracteriza-se pela ausência da parte espiritual. O violão, o baixo e o ukele acompanham musicalmente este estilo.

Hula hapa haole – Estilo occidental voltadas para show todas as músicas são en ingles. hapa = parte, haole = estrangeiro / caucasiano

Hula holoholona – Hula com nomes de animais; movimentos são tirados dos seguintes animais: honu (tartaruga), `îlio (cachorro).  A Hula de joelhos: manô (tubarão). A Hula sentada: pe`epe`emakawalu (aranha). Saltando alternando as pernas: pua`a (porco).

Hula ho`onânâ – Hula para divertir. ho`onânâ = encorajar a assistir

Hula kahiko – Hula antiga. Em conexão com cânticos (Mele) e acompanhada por tambores (Pahu). Para contar histórias sobre lendas de antigos tempos do reino e para a natureza.

Hula o Kalâkaua – Hula para homenagear o Rei David Kalakaua   • hula lâ`au pili (Dança com pedaços de madeira)   • hula nemanema (Atirar-se para trás)   • hula `ôlepelepe (O brilho do sol) 

Hula kuahu – Hula formal: Para cerimônias, preces e religião. O oposto da Hula a’uana.  kuahu = Altar

Hula kuhi lima – Hula sentada com movimentos ondulantes do dorso e movimentos de mãos. kuhi = mostrar, gesto; lima = mão

Hula mea pa`ahana / pila – Nomeada após os instrumentos   • Hula `ili`ili (pedras, usadas estilo castanholas)   • Hula kâ`eke`eke (bamboo)   • Hula kâla`au (pedaço de madeira)  • Hula pahu (tambor)   • Hula pâ ipu (cabaças)   • Hula pû`ili (pedaços de bamboo)   • Hula `ulî`uli (côco)

Hula ku`i Moloka`i – Dança alusiva a ilha de Moloka’i. Uma Hula antiga e muito rápida com batidas de pés, giros, palmas, caídas de joelho, punhos cerrados como no boxe, movimentos simulando um peixe na rede, sem instrumentos

Hula kuolo – Hula sentada com cânticos entoados, usando o Ipu  . kuolo = vibrando com a voz.

Hula mu`umu`u – Hula sentada.  mu`u mu`u = pessoa sem os braços ou pernas, amputada.

Hula Pele – Dança em honra ao fogo e a deusa do vulcão Pele

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Hula A'uana - Moderna

Hula A'uana - Moderna

Para entender esta clássica dança havaiana, você deve observar pés e mãos.

Um antigo ditado sobre a hula diz:  “as mãos contam a história.  Mas, a graciosidade dos dedos conta apenas uma parte da história”, relata o Kumu Hula Manu boyd.

As mãos são importante, mas as palavras do mele (canto) contam a verdadeira história,” diz Boyd. “A verdadeira hula é muito verbal. Nós contamos história quando dançamos.”

A Hula, tão antiga quanto a cultura havaiana, em tempos remotos foi compartilhada por todo o povo havaiano. Eles dançavam, e com o cântico (mele) expunham todos os aspectos da vida, guerra, morte, nascimento e até mesmo o surfe. Mas o contato com o mundo ocidental mudou a hula. Considerada, promíscua, pelos missionários americanos que chegaram ao Havaí em 1820, a hula esteve perto de ser erradicada em 1896, quando a língua havaiana foi abolida das escolas locais.

Hula Kahiko - Antiga

Hula Kahiko - Antiga

Contudo, a dança sobreviveu, e graças a Hollywood e a uma avalanche da indústria turística, tornou-se um símbolo das ilhas entre os anos de 1920 e 1930. As formas mais tradicionais ressurgiram e permaneceram até 1960, quando os nativos havaianos começaram a redescobrir a sua história cultural.

De acordo com Boyd, em 1893, o ano em que houve um ascensão na monarquia havaiana, marca a divergência entre os dois estilos da hula tradicional ainda apresentada hoje. Enquanto que os movimentos de pernas da Kahiko (Antiga) e A’uana (moderna e sem regras) são quase idênticos, os temas para Hula A’uana tendem a ser mais artísticos. Indumentárias e música também são diferentes. A Hula Kahiko é dançada ao ritmo do Pahu (Tambor) e Ipu (porongo). Hula A’uana usa piano, violão, ukele e baixo.

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O Espírito de Aloha é uma referência bem conhecida da atitude de aceitação amistosa pela qual as Ilhas Havaianas são bem famosas. No entanto, também se refere a uma maneira poderosa de resolver qualquer problema, atingir qualquer meta e, ainda, atingir qualquer estado de mente ou espírito que se deseje.

Na língua havaiana ALOHA significa muito mais do que “alô” e “adeus” ou “amor“. Seu significado maior é: compartilhar (alo) com alegria (oha) da energia da vida (ha) no presente (alo)”.

Ao compartilharem essa energia, vocês se conectarão ao Poder Divino que os havaianos chamam de MANÁ. E o uso amoroso deste Poder incrível é o segredo para se obter saúde, felicidade, prosperidade e sucesso verdadeiros.

A maneira de se conectarem a este Poder e fazer com que ele opere a seu favor é tão simples, que vocês poderão ficar tentados a descartá-la como sendo fácil demais para ser verdade. Por favor, não se deixem enganar pelas aparências.

Tome um tempo para tentar.

Esta é a técnica mais poderosa no mundo e, embora seja extremamente simples, pode vir a se tornar difícil, uma vez que precisarão se lembrar de fazê-la – e será necessário fazê-la REPETIDAMENTE. Trata-se de um segredo passado à humanidade por inúmeras vezes e, mais uma vez agora, de uma outra maneira. O segredo é este:

Abençoem todos e tudo que representem o que vocês desejam!

É só isso. No entanto, qualquer coisa tão simples assim requer alguma explicação.

Abençoar algo significa reconhecer ou dar ênfase a uma qualidade, característica ou condição positivas, com a intenção de que aquilo que se reconheça ou enfatize venha a crescer, perseverar (persistir) ou vir a ser.

Abençoar é efetivo na mudança de sua vida ou em obter o que você quer por três razões:

Em primeiro lugar, o foco positivo de sua mente mexe com a força positiva, criativa, do Poder do Universo.

Segundo move a sua própria energia para fora, permitindo que uma parte maior do Poder passe através de você.

Terceiro, quando você profere bênçãos para o benefício de outros, ao invés de o fazer para si mesmo, há a tendência de se ultrapassar quaisquer medos subconscientes a respeito do que se deseja para si mesmo; e, também, o próprio foco em si sobre os atos de abençoar faz com que o mesmo bem aumente na própria vida. A beleza desse processo é que a bênção proferida em favor de outros ajuda a estes, bem como a você mesmo.

As bênçãos podem ser proferidas com a ajuda de visualização ou toque; porém, a maneira mais comum e fácil de fazê-lo é através de palavras.

 

Os principais tipos de bênçãos verbais são:

Admiração: Trata-se do ato de cumprimentar ou louvar algo bom que se note. Ou seja, “Que belo pôr-do-sol; gosto de seu vestido; você é tão divertido.”

Afirmação: Trata-se de uma declaração específica de bênção para aumento ou continuação do estado descrito: “Abençôo a beleza desta árvore; abençoada seja a saúde de seu corpo.”

Apreciação: Trata-se de uma expressão de gratidão a respeito de algo bom que existe ou que tenha ocorrido: “Obrigado, Deus, por me haver ajudado; agradeço à chuva por nutrir a terra.”

Expectativa: Trata-se de uma bênção para o futuro: “Teremos um ótimo piquenique; abençôo sua renda sempre crescente; obrigado(a) pela(o) minha(meu) companheira(o) perfeita(o); desejo-lhe uma ótima viagem; que o vento sopre sempre a seu favor.”

 

A fim de se obter o maior benefício possível de uma bênção, vocês terão de desistir ou renunciar à única coisa que a anula: o ato de amaldiçoar. Isto não se refere a palavrões, mas ao oposto da bênção; ou seja, criticar, ao invés de admirar; duvidar, ao invés de afirmar; culpar, ao invés de apreciar; e se preocupar, ao invés de aguardar com confiança. Quando quer que tais atitudes sejam tomadas, elas tendem a cancelar alguns dos efeitos da bênção. Assim, quanto mais vocês amaldiçoarem, mais difícil e demorado será obter bons resultados da bênção. Por outro lado, quanto mais se abençoar, menos mal farão as maldições.

Aqui, então, vão algumas idéias para se abençoar várias necessidades e desejos.

 

Aplique-as quão freqüentemente você goste, tanto quanto você queira.

Saúde: Abençoem pessoas, animais e até mesmo plantas saudáveis; tudo o que seja bem feito ou bem construído; e tudo o que expresse energia abundante.

Felicidade: Abençoem tudo o que seja bom, ou o bem que há em todas as pessoas e coisas; todos os sinais de felicidade que vocês virem, ouvirem ou sentirem nas pessoas e animais; e todos os potenciais para a felicidade, que perceberem ao seu redor.

Prosperidade: Abençoem todos os sinais de prosperidade em seu ambiente, inclusive tudo o que o dinheiro ajudou a fazer ou construir; todo o dinheiro que vocês possuírem, sob qualquer forma; e todo o dinheiro que circula no mundo

Sucesso: Abençoem todos os sinais de realização e completeza (como edifícios, pontes e eventos esportivos); todas as chegadas a destinos (navios, aviões, trens, carros e pessoas); todos os sinais de movimento de progresso ou persistência; e todos os sinais de alegria e de diversão.

Confiança: Abençoem todos os sinais de confiança em pessoas e animais; todos os sinais de fortaleza nas pessoas, animais e objetos (incluindo-se o aço e o concreto); todos os sinais de estabilidade (como as montanhas e árvores altas); e todos os sinais de poder com propósito (incluindo-se grandes máquinas e fontes de energia).

Amor e Amizade: Abençoem todos os sinais de carinho e cuidado, compaixão e apoio; todos os relacionamentos harmoniosos na natureza e na arquitetura; tudo o que esteja ligado a alguma coisa, ainda que a esteja apenas tocando gentilmente; todos os sinais de cooperação, como nos jogos ou no trabalho; e todos os sinais de risos e alegria.

Paz interior: Abençoem todos os sinais de quietude, calma, tranqüilidade e serenidade (como águas plácidas, por exemplo); todas as vistas distantes (horizontes, estrelas, a Lua); todos os sinais de beleza, advindos da visão, som ou toque; cores e formas definidas; os detalhes de objetos naturais ou manufaturados.

Crescimento espiritual: Abençoem todos o sinais de crescimento, desenvolvimento e mudança na Natureza; as transições do amanhecer e do entardecer; o movimento do sol, da lua, dos planetas e estrelas; o vôo dos pássaros no céu; e o movimento dos ventos e do mar.

 

As idéias acima são para sua orientação, caso vocês não estejam acostumados a abençoar; porém não se limitem a elas.

Lembrem-se de que qualquer qualidade, característica ou condição pode ser abençoada (por exemplo, vocês podem abençoar postes finos e animais magros para encorajar a perda de peso), quer haja existido, exista no momento, ou exista apenas em sua imaginação.

 

Pessoalmente tenho usado o poder da benção para curar meu corpo, aumentar meus ganhos, desenvolver várias habilidades, criar uma relação profunda de amor com minha esposa e filha, e estabelecer uma rede mundial de pacificadores trabalhando com o espírito aloha, desde o primeiro contato com a cultura havaiana.

 

É porque tem funcionado tão bem para mim que quero compartilhar com vocês.

Por favor compartilhe com tantas pessoas quantas vocês possam.

 

Antonio Carlos Cardoso – Kokua Kumu

www.antoniocarloscardoso.com.br      antoniocmc@brturbo.com.br 
51 3483.9626 / 51 9177.1708

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O povo havaiano não tem uma linguagem escrita. Foi através de seus cantos que eles contaram a sua história, nascimento, morte, amores e suas vidas.
Cantos importantes eram memorizados e passados de geração para geração. Os cânticos havaianos se tornaram uma intrincada e profunda forma de arte.

Desde que a palavra falada é transpotada pela respiração, a respiração é sinônimop de vida, as palavras (segunda crenças antigas) são carregadas com o MANÁ (poder pessoal) individual de cada um. Samuel Kamakau escreveu, “cada palavra deve ser estudada pelo seu significado e pelo seu efeito.”

Havia cantos para cada ocasião, mas um dos mais importantes era o canto de genealogia. A linhagemn pessoal concedia a sua importância e freqeuntemente a sua profissão na sociedade. Relembrar e homenagemar os ancestrais era um fato absoluto. De cada um se esperava que relembrasse dez gerações anteriores. O rei poderia poderia relembrar até mais do que estas.

O canto conta a história, e a hula conta a história em movimento. A Hula é frequentemente chamada de Dança Sagrada, embora não seja uma forma de adoração, não é um ritual religioso. As crianças eram selecionadas muito cedo para as escola de hula (Halau). No Halau eram afastadas das influências externas. O treinamento começava com a disciplina necessária para aprender Hula. Quando os missionários chegaram em 1820, eles não acharam nada de entretenimento ou sagrado sobre a hula, mas preferiram chamar a Hula de prática profana. Esta desaprovação Calvinista levou a Hula ao submundo, e os professores e escolas se tornaram clandestinos.

Durante o reinado de David Lakalakua em 1880, um breve renascimento cultural ocorreu e as escolas de Hula se tornaram públicas novamente. Eles se apresentaram em sua coroação em 1883 e novamente em seu aniversário em 1886.Kalakaua amou e encorajou a sua cultura, infelizmente, ele morreu em 1891. O monarca morreu e com ele a cultura voltou a sofrer desaprovação novamente.

 

A Hula não recuperou a sua popularidade até 1960 e 1970. Neste período tornou-se um forma de entretenimento da cultura havaiana. E com o retorno da Hula, é claro, o canto havaiano reviveu.

SE NÓS NÃO MANTIVERMOS A CULTURA, NÃO TEREMOS NADA PARA MANTER A NOSSA IDENTIDADE.

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